Numa tarde de Verão, depois dos cantos e danças, todos se sentaram em redor do chefe da tribo. Ele fixou o olhar num dos seus guerreiros e começou a falar-lhes assim:
- Se alguém fizer mal ao teu irmão e tu quiseres vingar-te matando o assassino, faz o seguinte; senta-te, enche o cachimbo e fuma. Compreenderás então que a morte é um castigo desproporcionado e resolverás dar-lhe apenas uma boa sova.
Antes, porém, enche novamente o teu cachimbo e fuma até o esvaziares. Convencer-te-ás que, em vez da sova, bastaria uma boa repreensão. Se, entretanto, encheres o cachimbo pela terceira vez e ficares a reflectir até o esvaziares, ficarás persuadido que é melhor ir ao encontro do inimigo e abraçá-lo.
in "Bons dias" dePedrosa Ferreira
Monday, June 19, 2006
Saturday, June 17, 2006
Parábola do Monge e do Diamante
Um monge ia a caminho e sentou-se debaixo de uma árvore para passar a noite. Nisto, aproximou-se um aldeão, arquejado, para lhe dizer:
- Vá lá, rápido, dá-me a pedra, a pedra!
- Que pedra?- perguntou-lhe o monge.
O aldeão respondeu-lhe:
- A noite passada, sonhando, vi um santo, e assegurou-me que, vindo aqui durante a noite, encontraria um monge, que me daria a melhor e a maior pedra preciosa do mundo: e que assim tornar-me-ia rico para sempre.
O monge revistou o seu saco e deu-lhe um diamante, dizendo-lhe:
- Toma lá, pode ser que seja isto, quem sabe. Encontrei-o há dias, na estrada, enquanto ia a caminho.
O aldeão pegou ansiosamente no diamante, despediu-se extasiado, olhando-o por um bom bocado, e depois foi-se embora para casa a correr. Passou toda a noite às reviravoltas na cama. Estava tão nervoso que era incapaz de dormir.
No dia seguinte, foi à procura do monge e disse-lhe:
- Dá-me, por favor, a riqueza que permite que te desprendas com tanta facilidade deste maravilhoso diamante. Indica-me o teu tesouro.
in "Topas... outra ves?..."
- Vá lá, rápido, dá-me a pedra, a pedra!
- Que pedra?- perguntou-lhe o monge.
O aldeão respondeu-lhe:
- A noite passada, sonhando, vi um santo, e assegurou-me que, vindo aqui durante a noite, encontraria um monge, que me daria a melhor e a maior pedra preciosa do mundo: e que assim tornar-me-ia rico para sempre.
O monge revistou o seu saco e deu-lhe um diamante, dizendo-lhe:
- Toma lá, pode ser que seja isto, quem sabe. Encontrei-o há dias, na estrada, enquanto ia a caminho.
O aldeão pegou ansiosamente no diamante, despediu-se extasiado, olhando-o por um bom bocado, e depois foi-se embora para casa a correr. Passou toda a noite às reviravoltas na cama. Estava tão nervoso que era incapaz de dormir.
No dia seguinte, foi à procura do monge e disse-lhe:
- Dá-me, por favor, a riqueza que permite que te desprendas com tanta facilidade deste maravilhoso diamante. Indica-me o teu tesouro.
in "Topas... outra ves?..."
Thursday, June 15, 2006
Em Construção
Era uma vez um pai que estava continuamente a ser incomodado pelo seu filho.
Para o distrair, arrancou de um velho atlas de geografia uma folha onde estava desenhado epintado o mapa-mundi: todas as nações da terra com as cidades mais importantes.
Pegou numa tesoura, desfez omapa em pedaços e entregou-os ao seu filho para que compusesse ele o puzzle improvisado. O pai pensava: "Demorará muito tempo e ficará entretido sem me aborrecer!"
Passados poucos minutos, regressa a criança com todas as peças no seu sítio exacto. O pai, admirado, perguntou-lhe:
- Como é que conseguiste pôr ordem tão depressa?
Respondeu a criança:
- Muito simples, pai. No verso estava desenhado um homem. Primeiro reconstrui o homem. E assim o mundo ficou automaticamente ordenado.
G. Negri in "Bons dias"
Para o distrair, arrancou de um velho atlas de geografia uma folha onde estava desenhado epintado o mapa-mundi: todas as nações da terra com as cidades mais importantes.
Pegou numa tesoura, desfez omapa em pedaços e entregou-os ao seu filho para que compusesse ele o puzzle improvisado. O pai pensava: "Demorará muito tempo e ficará entretido sem me aborrecer!"
Passados poucos minutos, regressa a criança com todas as peças no seu sítio exacto. O pai, admirado, perguntou-lhe:
- Como é que conseguiste pôr ordem tão depressa?
Respondeu a criança:
- Muito simples, pai. No verso estava desenhado um homem. Primeiro reconstrui o homem. E assim o mundo ficou automaticamente ordenado.
G. Negri in "Bons dias"
Wednesday, June 14, 2006
A verdade
Era uma vez um homem que saiu de casa decidido a encontrar a verdade. A todos fazia a mesma pergunta:
- Sabes onde posso encontrar a verdade?
Encontrou um agente de publicidade, que lhe respondeu:
- A verdade? Isso para que é que serve? É coisa que não me interessa!
Encontrou uma dona de casa, que lhe respondeu:
- Que pergunta tão estranha! Talvez a minha comadre saiba. Ela sabe tudo!
Dirigiu-se a um polícia, que lhe disse:
- A verdade!... Tenho ouvido falar muito dela nos tribunais, mas duvido que ela se encontre lá.
Entrou, finalmente num supermercado onde há de tudo. Perguntou a um dos empregados:
- O senhor sabe dizer-me em que loja posso encontrar a verdade?
O empregado, que até tinha estudado filosofia, apontou-lhe uma livraria.
O desconhecido viu livros, muitos livros que falavam de verdades. Havia ali verdades para todos os gostos e feitios; a verdade do marxismo, da economia, da política, da publicidade, dos filósofos, a verdade do operário, da criança, dos cientistas.
O desconhecido folheou livros. No final disse:
- Não encontrei o que desejava. É que eu não ando à procura das verdades deste ou daquele. Eu procuro a Verdade.
Adaptado de A. Pinto
- Sabes onde posso encontrar a verdade?
Encontrou um agente de publicidade, que lhe respondeu:
- A verdade? Isso para que é que serve? É coisa que não me interessa!
Encontrou uma dona de casa, que lhe respondeu:
- Que pergunta tão estranha! Talvez a minha comadre saiba. Ela sabe tudo!
Dirigiu-se a um polícia, que lhe disse:
- A verdade!... Tenho ouvido falar muito dela nos tribunais, mas duvido que ela se encontre lá.
Entrou, finalmente num supermercado onde há de tudo. Perguntou a um dos empregados:
- O senhor sabe dizer-me em que loja posso encontrar a verdade?
O empregado, que até tinha estudado filosofia, apontou-lhe uma livraria.
O desconhecido viu livros, muitos livros que falavam de verdades. Havia ali verdades para todos os gostos e feitios; a verdade do marxismo, da economia, da política, da publicidade, dos filósofos, a verdade do operário, da criança, dos cientistas.
O desconhecido folheou livros. No final disse:
- Não encontrei o que desejava. É que eu não ando à procura das verdades deste ou daquele. Eu procuro a Verdade.
Adaptado de A. Pinto
Tuesday, June 13, 2006
O Silêncio
Um homem dirigiu-se a umconvento de clausura, isto é, um convento onde se vive longe do ruído da cidade e num silêncio desejado.Perguntou a um desses monges:
- Que aprendeis vós com a vossa vida de silêncio?
O monge estava a tirar água de um poço. Disse ao seu visitante:
- Olha para o fundo do poço. Que vês lá dentro?
O homem olhou para dentro e disse:
- Não vejo nada.
O monge ficou algum tempo sem se mover e no final disse ao visitante:
- Contempla agora. Que vês no fundo do poço?
- O homem obedeceu e repondeu:
- Agora vejo-me a mim próprio: espelho-me na água.
O monge concluiu:
- Vês? Quando eu mergulho o balde, a água fica agitada. Agora, pelo contrário, está tranquila. É esta a experiência do silêncio: o homem vê-se a si próprio.
in "Bons dias" de Pedrosa Ferreira
- Que aprendeis vós com a vossa vida de silêncio?
O monge estava a tirar água de um poço. Disse ao seu visitante:
- Olha para o fundo do poço. Que vês lá dentro?
O homem olhou para dentro e disse:
- Não vejo nada.
O monge ficou algum tempo sem se mover e no final disse ao visitante:
- Contempla agora. Que vês no fundo do poço?
- O homem obedeceu e repondeu:
- Agora vejo-me a mim próprio: espelho-me na água.
O monge concluiu:
- Vês? Quando eu mergulho o balde, a água fica agitada. Agora, pelo contrário, está tranquila. É esta a experiência do silêncio: o homem vê-se a si próprio.
in "Bons dias" de Pedrosa Ferreira
Tuesday, October 11, 2005
Arriscar
Há pessoas
que nunca se interrogam
sobre o que se avista
do alto de uma montanha
Essas pessoas nunca arriscam...
Há pessoas que nunca perguntam
qual é a causa da pobreza
ou porque é que as outras pessoas
parecem infelizes
Essas pessoas nunca arriscam...
Há pessoas que nunca tentam
modificar o que está mal
ou modificar-se a si próprias
Essas pessoas nunca arriscam
Há pessoas que nunca sonham
com um mundo mais justo
nem com a liberdade e a paz
Essas pessoas nunca arriscam
Felizmente
que algumas pessoas
são capazes de arriscar.
Cristianssen
que nunca se interrogam
sobre o que se avista
do alto de uma montanha
Essas pessoas nunca arriscam...
Há pessoas que nunca perguntam
qual é a causa da pobreza
ou porque é que as outras pessoas
parecem infelizes
Essas pessoas nunca arriscam...
Há pessoas que nunca tentam
modificar o que está mal
ou modificar-se a si próprias
Essas pessoas nunca arriscam
Há pessoas que nunca sonham
com um mundo mais justo
nem com a liberdade e a paz
Essas pessoas nunca arriscam
Felizmente
que algumas pessoas
são capazes de arriscar.
Cristianssen
Sunday, April 03, 2005
Oração de quem confia mais no Senhor que em si próprio
Oração de quem confia mais no Senhor que em si próprio
Senhor, meu Deus,
Não sei o que vai ser o meu dia de amanhã,
Não percebo qual é o meu caminho
Não sei prever onde me conduz.
Nem sequer me conheço a mim mesmo.
E, se é verdade que quero, acima de tudo, fazer a Tua vontade
A verdade é que nem sempre a aceito na minha vida.
No entanto acredito que o meu desejo de Te agradar, Te agrada.
Peço-Te que, em tudo o que faço, eu seja fiel ao desejo profundo do meu coração,
E que, no futuro, este desejo me não abandone.
Sei que, se for fiel ao desejo de Te agradar
Tu, meu Deus, vais conduzir-me pelo caminho recto,
Ainda que por mim, não seja capaz de o encontrar.
Quero pôr em Ti a minha confiança;
Mesmo quando me sinto perdido,
Mesmo quando atravesso vales tenebrosos,
Nada receio porque Tu estás comigo
E na hora do perigo
Poderei contar contigo, a meu lado.
Thomas Merton, monge trapista
Traduzido e adaptado a partir dos textos da Páscoa de www.croire.com
Senhor, meu Deus,
Não sei o que vai ser o meu dia de amanhã,
Não percebo qual é o meu caminho
Não sei prever onde me conduz.
Nem sequer me conheço a mim mesmo.
E, se é verdade que quero, acima de tudo, fazer a Tua vontade
A verdade é que nem sempre a aceito na minha vida.
No entanto acredito que o meu desejo de Te agradar, Te agrada.
Peço-Te que, em tudo o que faço, eu seja fiel ao desejo profundo do meu coração,
E que, no futuro, este desejo me não abandone.
Sei que, se for fiel ao desejo de Te agradar
Tu, meu Deus, vais conduzir-me pelo caminho recto,
Ainda que por mim, não seja capaz de o encontrar.
Quero pôr em Ti a minha confiança;
Mesmo quando me sinto perdido,
Mesmo quando atravesso vales tenebrosos,
Nada receio porque Tu estás comigo
E na hora do perigo
Poderei contar contigo, a meu lado.
Thomas Merton, monge trapista
Traduzido e adaptado a partir dos textos da Páscoa de www.croire.com
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